Wilson Grassi

Wilson Grassi

Foto: Divulgação Brasília tem construído uma relação de amor com os animais. A criação de espaços específicos para eles e a aceitação cada vez maior dos animais em lugares como restaurantes são bons exemplos. Os moradores da cidade, inclusive, se mobilizam para cuidar dos direitos deles. Estudos mostram também que cuidar de um animal é terapêutico. E o fato de haver menos pessoas dentro de cada residência abre espaço para os animais domésticos. Assim, a capital reflete os números nacionais. No país, há um cachorro para cada seis habitantes. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), são cerca de 106 milhões de animais domésticos. Pesquisa da Comissão de Animais de Companhia e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal aponta que o DF seria o terceiro maior mercado do Brasil, já que possui 42% de residências com esse tipo de animal — o que daria mais de 325 mil animais na cidade, ao se cruzar os números de habitações, segundo o Censo do IBGE. De acordo com o Instituto Pet Brasil (IPB), o principal fator relacionado ao desenvolvimento desse mercado é o reconhecimento dos benefícios terapêuticos da interação entre os humanos e os animais. Além disso, segundo o IPB, a verticalização dos grandes centros e a mudança no estilo de vida das pessoas, com cada vez menos pessoas ocupando um mesmo lar, fizeram com que se aumentasse a opção pelos animais domésticos. A aposentada Márcia Berçot, 54 anos, se divide nos cuidados entre os pais e Luna, uma cadela da raça collie, hoje com 8 anos. Sempre que pode, sai para passear com a companheira. Márcia não está sozinha. Um parque para os animais foi criado entre as quadras 104/105 da Asa Sul. Assim como Márcia, quem passeia por lá dedica boa parte do tempo em prol da socialização e da felicidade dos animais domésticos. Os frequentadores têm até um grupo de conversa particular nas redes sociais, em que programam os passeios diariamente. “Ali, eles convivem, correm juntos e é a coisa mais linda do mundo de se ver”, conta Márcia. Fonte: Correio Braziliense

 Foto: Divulgação

Uma cena emocionou internautas no último fim de semana. Policiais militares mostraram sensibilidade e amor aos animais ao resgatar um cãozinho branco, aparentando ser da raça poodle e tudo foi registrado por uma câmera de aparelho celular.

De acordo com o internauta que enviou o vídeo através do aplicativo Whatsapp, os policiais da Cavalaria da PM, utilizaram uma corda para tirar o animal de um buraco fundo. No vídeo é possível ver o possível ouvir o policial comentar que o animal está há dias no buraco, que parece ser profundo.

Assista:

 Fonte: Bocão News

Por mais que seja triste, e, é, saber que uma criança ficou fisicamente especial aos 11 anos, vale à pena tentar entender o verdadeiro culpado do que aconteceu, na esperança de evitar uma repetição disso no futuro, tendo em vista que já não é a primeira vez que acidentes envolvendo crianças e animais silvestres acontecem.

Em uma análise bem franca e sincera, considero que:

O pai não seja o grande culpado, embora seja um idiota. Estimulou e permitiu a transgressão das regras, ao deixar que o filho pulasse a primeira barreira de proteção e ainda oferecesse alimento proibido (ossos de frango). Permitiu também que o garoto atormentasse dois felinos de grande porte.

O filho: tem pelo menos 50% do DNA do pai. Pulou a cerca e aborreceu o quanto pode o Tigre e o Leão. Meus gatos já teriam avançado sobre mim por muito menos aporrinhação. É triste ter perdido o braço, mas correu o risco de perder a própria vida.

O zoológico: foi o palco de um espetáculo triste e humilhante. Onde uma espécie que na natureza deveria ser livre e altiva, agora é encarcerada, vendida ou comprada, limitada em todos os aspectos do seu comportamento natural e ainda é exposta a exibição pública como curiosidade.

A pipoca: este é o grande culpado. Quando as pipocas são requisitadas? Durante um filme na tv ou cinema, geralmente uma comédia. Ou um espetáculo teatral. Em situação de diversão. Ninguém come pipocas em um velório ou em momentos que exigem concentração, como dirigir um carro ou fazer uma prova. Os zoológicos, vendem pipoca!

Onde quero chegar: os animais silvestres, principalmente silvestres exóticos, não são pets. Não são animais para serem vulgarmente exibidos em situações de prisioneiros, nem para estarem em proximidade com as famílias, ainda mais com crianças, nem em casa nem em zoológicos. Falo aqui não só de tigres, mas de macacos, araras, tartarugas, cobras, passarinhos de todos os tipos e tamanhos, etc. A vida dos silvestres, com um mínimo de dignidade, é incompatível com o cativeiro, a dependência e a proximidade dos humanos. A única exceção admissível seriam os criadores conservacionistas verdadeiros, onde não exista nenhum interesse financeiro, apenas o da preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Os zoológicos não se enquadram neste caso. O interesse principal de um zoológico é proporcionar diversão. Exibição. Sob a desculpa de estimular o contato e o respeito com a natureza, mostra exatamente como não se deve tratar os animais. Ensinam exatamente o contrário do que pregam, banalizando o valor intrínseco de cada prisioneiro, quer dizer, de cada animal exposto a ossos de frango e pacotes de pipoca. Isso para não dizer dos interesses financeiros de compras e vendas e seguros recebidos quando um animal raro misteriosamente vem a óbito.

Enfim, embora trágico para o menino e sua família, que este episódio sirva para nos alertar que os animais tem valor para eles mesmos e não só para nós, que não são curiosidades para serem exibidas, que precisamos respeita-los verdadeiramente, inclusive no seu emocional e que não podemos olhar para eles segurando um saco de pipocas.

A necessidade é a mãe de todas as inovações!

Assim já dizia Platão em 427 AC! E não sem razão! Em parte é do espírito humano a tendência à acomodação! Assim como é postulado da física que para sair da inércia é necessária a ação de uma força!

Se os homens tivessem asas, teríamos inventado o avião?

E se nossas memórias fossem infinitas, velozes e conectadas, teríamos investido no desenvolvimento de computadores?

Se tivéssemos tudo o que precisássemos, na hora que quiséssemos, quantos de nós trabalhariam?

Entrando agora na questão dos Beagles, usados para experimentos, quero dizer que, hoje, isso faz parte da acomodação humana! Enquanto cães e ratos forem baratos, e estiverem a disposição, a ciência não vai progredir na direção de substituí-los, com a velocidade necessária!

Agora, se de súbito, eles deixassem de existir, quanto tempo levaríamos para encontrar uma alternativa? Ou deixaríamos de produzir medicamentos e novos procedimentos?

Quando ouço debates sobre se isso é necessário, se existem alternativas, ou se estes testes são confiáveis, não discordo das respostas, discordo das perguntas! A meu ver a pergunta correta é se temos este direito ou não, e baseado em que teríamos este direito!

Recebi a noticia da invasão do Laboratório Royal e resgate dos 178 cães, como uma das melhores notícias dos últimos anos! Uma verdadeira luz no fim do túnel obscuro do respeito aos animais! Penso até que será um divisor de águas, que em primeiro lugar deixa claro que a sociedade não aceita estes procedimentos! Em segundo lugar, agora sim, laboratórios e pesquisadores se verão cada vez mais obrigados a eliminar testes desnecessários, e na marra, desenvolver alternativas humanitárias a estes procedimentos!

Do meu ponto de vista de observador da evolução do status moral que concedemos aos animais, não tenho a menor dúvida em colocar este evento do resgates dos Beagles como um dos mais importantes marcos da história da proteção animal no Brasil, ao lado de outros eventos, como:

O fim da Câmara de descompressão, onde os animais abandonados eram sacrificados explodindo seus cérebros de dentro para fora! (Nesta ocasião, a ativista Angela Caruso, em ato de sabotagem, discretamente jogava pedrinhas nas engrenagens do aparelho, até que finalmente conseguiu destruí-lo. Como as peças eram importadas, ele nunca chegou a ser consertado! Posteriormente ação legal com a participação da Dra Viviane Cabral aposentou-o em definitivo)

A Lei Tripoli, que proibiu a entrega de animais dos Centros de Controle de Zoonoses para ensino e pesquisa! (Esta lei após ser aprovada, foi vetada pela Prefeita. Em seguida 2 mil manifestantes abraçaram o Centro de Controle de Zoonoses e apoiaram a Câmara Municipal que derrubou o veto. As faculdades foram obrigadas a encontrar alternativas para o ensino, que depois se mostraram melhores que o método antigo)

A Lei Feliciano, que proibiu em definitivo a eutanásia de animais saudáveis recolhidos das ruas! (Nesta ocasião muitos diziam que isso seria impraticável, e o tempo mostrou que estavam errados. A Prefeitura parou de recolher, passou a castrar mais e a população de animais de rua diminuiu ao invés de aumentar, como os pessimistas pregavam)

A criação do Primeiro Hospital Veterinário Público! (Projeto Tripoli em parceria com a Anclivepa-SP) Muitos questionavam se poderíamos gastar dinheiro público com a saúde animal enquanto humanos continuavam em corredores de hospitais. Sim, depois de implantado, 90% da população aprova esta ação!

E agora a invasão do Instituto Royal e consequente resgate dos Beagles!

Que se pare imediatamente todo o uso de animais, sejam cães, coelhos ou cobaias e em alguns anos vamos presenciar uma revolução em como as pesquisas são realizadas!

Platão já dizia isso!

Por conta das circunstâncias, a mudança de casa da família teve que acontecer dia 31 de dezembro e, por isso, dia 1 de janeiro foi o dia da arrumação. A pressa obrigou a encaixotar tudo que tinham, sem escolher nada, mas agora era a hora abrir cada caixa e decidir se manteriam essas coisas em suas vidas ou se as jogariam fora.

A gata foi a primeira a começar. Decidiu jogar fora a caixa de papelão, que trazia consigo desde que fora abandonada na praça, ainda filhote. Junto com a caixa de papelão, jogou também as lembranças de passar frio e fome, já que hoje tinha o abrigo de um lar. Livrou-se também do vício de comer mais do que precisava, pois a comida não faltava mais.

Depois veio o cachorro. Ao abrir sua caixa de mudança decidiu jogar fora sua antiga coleira e junto com ela as lembranças de quando passava o dia acorrentado. Aproveitou e se livrou também da angustia daquela época que o fazia andar em círculos até hoje. Não precisava mais fazer isso. Tinha um amplo quintal para se exercitar. Andar para frente é muito melhor que andar em círculos.

Em seguida, veio a menina. Abriu sua caixa e decidiu jogar fora um velho boneco de um homem de terno. Junto com o boneco aproveitou e se livrou das lembranças de um pai ausente e frio. Hoje, o pai tinha mais tempo e experiência, e passava mais tempo com a filha. Se decidisse manter as lembranças do passado, no futuro poderiam dificultar seus relacionamentos com o sexo oposto.

A mãe abriu sua caixa. Jogou fora diversas fotos da adolescência que mantinha escondidas. Nessas fotos aparecia com um namorado da época, e até ontem se perguntava se não deveria ter casado com ele. Hoje, sabia que se não jogasse isso fora nunca seria feliz com o atual marido. Jogou fora.

Chegou a vez do pai. Sua caixa era grande. Começou jogando fora o uniforme do seu primeiro emprego, de vinte anos atrás. Junto com o uniforme jogou fora a mentalidade de pobreza, de que tudo é caro e difícil, e que o dinheiro nunca dá para nada. Entendeu que se começasse o ano pensando assim, terminaria o ano se sentindo pobre. Depois, o pai encontrou um cinto velho de couro e decidiu se livrar dele também. Junto com o cinto se livrou das lembranças do tempo de criança, quando apanhava muito, do pai bêbado. Entendeu que assim se livraria também da violência que ele mesmo, às vezes praticava contra a família, incluindo os animais, os amigos e os colegas de trabalho.

Começar um ano novo é uma grande oportunidade de viver uma vida nova, mas intenção só não leva a nada. Nossas vidas são resultados das nossas experiências da infância, que moldaram nosso modo de ver o mundo, que produz nossos pensamentos, que formam nossas emoções, que resultam em nossas palavras e atos, que por fim definem o que é a nossa vida.

Um ditado popular diz que olhando de perto ninguém é normal. Outro diz que de médico e louco todo mundo tem um pouco. Tem também aquele que diz que todo mundo tem um cadáver escondido dentro do guarda roupas. Neste caso, o guarda roupas significa o passado e o cadáver algo ruim que aconteceu e se quer esconder.

Jogar lembranças fora é uma metáfora. Muitas vezes isso não é possível. Enterrá-las é pior, pois mesmo no profundo do inconsciente, elas ficam ativas e atuantes e sempre vem nos assombrar. Mas jogar luz sobre elas, compreender suas influências em nossas vidas e nos desapegarmos delas pode ter resultados surpreendentes e rápidos.

Querer uma vida nova praticando pensamentos antigos é inútil. Fazer duas vezes coisas iguais e querem resultados diferentes é burrice. Se alguém quer resultados diferentes em sua vida, precisa primeiro mudar a si mesmo. Ter autoconsciência do por que a gente é do jeito que é, do por que a gente faz as coisas que faz e pensa do jeito que pensa é uma grande ferramenta para construir a mudança. Para mudar nossa vida é preciso ter coragem de jogar coisas velhas fora. Humildade para jogar convicções antigas fora, para desaprender hábitos arraigados e procurar e aceitar novos conceitos.

Assim que terminar este texto vou vasculhar meu guarda roupas e me livrar do cadáver.

E a sua caixa? Será que você tem alguma coisa que precisa jogar fora para ter um feliz ano novo?

-Querido Papai Noel, me comportei bem e obedeci a Mamãe o ano todo, por isso mereço ganhar a boneca Barbie Veterinária de presente de Natal. Assinado Mariana, de 9 anos.

Após colocar o ponto final na frase e desenhar um coração em cada canto da folha, a menina dobrou cuidadosamente a folha de papel de carta, colocou-a dentro de um envelope vermelho e ajeitou a correspondência aos pés da árvore de Natal. Saiu da sala e foi cuidar da vida.

Imediatamente, Faísca, um filhote de cachorro legítimo vira-latas, último presente recém dado à Mariana, entrou na sala à procura de alguma coisa para fazer e encontrou o envelope vermelho. Em apenas alguns segundos picou a carta em dezenas de pedaços.

Alguns pedacinhos ficaram até grudados no canto da boca e no focinho. Não dava nem para negar. Provas demais o incriminavam.

Mariana, ao ver a cena, ficou furiosa.

- Cachorro mal. Eu te odeio! Agora o Papai Noel não vai receber a carta e eu não vou ganhar a Barbie Veterinária. Suma daqui! Não quero ver você nunca mais!

Cabisbaixo, Faísca entendeu o recado. Enfiou o rabo entre as pernas e desapareceu. Atendeu o pedido da menina e sumiu.

Horas depois, já passada a raiva, Mariana deu falta do filhote. Procurou pela casa toda e nada. Com ajuda dos Pais, percorreu a vizinhança e nada. Esperou o dia seguinte e nada.


***


Chegou a noite de Natal, festa na casa da Mariana, e hora de abrir os presentes. Mesmo sem receber a carta, o Papai Noel ficou sabendo do desejo da garotinha e deixou uma linda Barbie em baixo da árvore.

Ao ver a boneca Mariana chorou. Lembrou do Faísca e de como havia sido rude com ele. Lembrou dos bons momentos que tiveram juntos, de como brincaram, correram e apreenderam um com o outro, nas poucas semanas que tiveram de amizade.

O arrependimento doeu demais. Mariana não podia nem olhar para boneca, sem cair no choro.

Já tarde da noite, já com a família toda distraída, comendo, bebendo e conversando alto, a garotinha resolveu se livrar do brinquedo. Agasalhou-se e sorrateiramente saiu de casa. Levava um panetone em uma mão e a boneca na outra, disposta a se livrar do brinquedo. Andou por 3 quadras até um viaduto, onde sabia que embaixo morava uma família de moradores de rua. Sabia que tinham uma menina. A garotinha se apresentou a família, desejou feliz Natal e entregou a boneca para a outra criança, que agradeceu com um largo sorriso.

Mariana virou as costas e começou a voltar para casa, quando ouviu um latido, vindo de dentro de um carrinho de catador de lixo. Entre as folhas de jornal velho e pedaços de papelão surgiu um focinho conhecido. Sim era ele, o Faísca, que pulou do carrinho e correu de encontro a Mariana.

Após muitos beijos, abraços e lambidas, foram interrompidos pelo catador de papelão.

-Ei, esse cachorro é meu, menininha.

Após se recuperar do susto, a garota tentou argumentar e até ofereceu dinheiro, em troca do Faísca.

-Escute aqui, mocinha. Não quero seu dinheiro não. Quero uma promessa. Vai ter que cuidar deste cachorro com muito carinho e de hoje em diante medir bem o que fala. Palavras ásperas são como pregos cravados em uma madeira. Você pode até retirar os pregos, como pode se desculpar pelas palavras, mas as marcas ficam para sempre.

Dito isso, o catador de papelão fez um carinho no cachorro, que retribuiu com uma lambida. Apanhou o Pantone e se retirou para um canto do viaduto, perto da fogueira, onde se pôs a comer o pão.

Mariana apertou o Faísca contra o peito e tomou o caminho de casa, lembrando das palavras do homem, e sabendo que este Natal seria inesquecível.

Existe um vínculo claro entre fogos de artifício e guerras. Comemorar estourando bombas invoca e homenageia o lado mais belicoso do ser humano. Não consigo lembrar algo que se pareça mais com tiros, bombas e artilharia pesada que os usuais fogos de fim de ano, festas juninas e finais de campeonato.

Fora a deprimente e gratuita homenagem à violência, as consequências são assustadoras para pessoas e animais. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 6 mil pessoas já foram internadas nos últimos dez anos no Brasil, com queimaduras provocadas por estes artefatos. Mais de 120 delas morreram. Quem não morreu se queimou, se amputou, perdeu a visão ou a audição. Cerca de 40% das vítimas são crianças.

As autoridades, muito preocupadas com a questão, estranhamente recomendam cuidado no manuseio, quando deveriam propor o fim da brincadeira inútil, já que não trás beneficio para ninguém, muito pelo contrário. Pior, muitas prefeituras patrocinam as queimas de fogos em determinados eventos como festas de final de ano, como forma de agradar os munícipes e turistas.

Foto: http://www.thsprovider.com.br

E se as pessoas sofrem, imaginem os animais.

Começando pelos pássaros. São muito sensíveis ao estresse. Luzes e sons altos podem levá-los a morte. Vários relatos dão conta de pássaros caídos das árvores após fogos de artifícios, mortos ou atordoados. Há notícias de 5000 pássaros mortos no Arkansas após um evento. No Brasil, uma testemunha descreveu um tapete verde, formado de periquitos caídos, após uma festa religiosa no Pará.

Já os cães, nossos companheiros mais próximos, sofrem surtos de pânico. Possuidores de audição bem mais sensível que a nossa, provavelmente percebem os estouros das bombas e rojões com mais intensidade que os humanos. Os acidentes são incontáveis, e infelizmente a medicina veterinária não tem ainda estatísticas das ocorrências. Porém as mais comuns são os cães tentarem abocanhar bombas antes de elas explodirem, como aconteceu recentemente com a cadelinha que a mídia noticiou, que além dos ferimentos perdeu a audição. Eu já atendi muitos casos parecidos.

Outro acidente comum que os fogos causam aos cães, são os ferimentos cortantes. Ao entrarem em pânico tentam pular janelas, quebram vidraças e se machucam em lanças de portões. Os resultados não precisam ser descritos, e os plantões de final de ano nas clínicas veterinárias 24horas, como a minha, são bastante movimentados. Os gatos normalmente se escondem, se estressam bastante também, mas se machucam bem menos.

Para diminuir o sofrimento dos cães nestas situações, pouco pode ser feito. Nos animais onde a crise de pânico é intensa, o uso de calmantes pode ser considerado. Porém só podem ser receitados após um exame cuidadoso, para estabelecer a segurança do uso dos medicamentos. Outro inconveniente é que em geral a duração da sedação é de cerca de 2 horas, e em alguns eventos a queima de fogos é bem mais que isso.

Homeopatia e Florais são relatados com frequência, mas não tenho conhecimento nem experiência para confirmar se há resultado na diminuição das crises de pânico. Porém tenho experiência para dar uma orientação importante, sobre o melhor que você pode fazer pelo seu animal nos dias onde acontecem as queimas de fogos de artifício. Fique perto dele. Fique em casa. Não o deixe sozinho. Você não poderá evitar o estresse ou o pânico, mas poderá evitar diversos acidentes e os que não puder evitar, poderá ao menos socorrer rápido, o que pode fazer muita diferença.

Foto: http://catrangers.wordpress.com/

Fora isso, resta torcer para que a nossa sociedade entenda que a busca pela Paz implica em algo mais que apenas um discurso. Implica na prática da Paz. Isso, se quisermos que o objetivo seja alcançado e não seja apenas um discurso vazio. Mais um discurso vazio.

Era a primeira vez que Rui tinha ido a uma feira de adoção de cães e gatos. E não foi de propósito. Saíra do supermercado onde fora comprar comida e se deparou com o evento instalado no estacionamento.

Ao passar pelas tendas que cobriam canis com cãezinhos e gaiolas com gatinhos, parou para pedir informações sobre os animais, para uma moça que os tratava, dando água e comida.

- Que lindos! Qual a idade deles? Perguntou Rui, com um sorriso.

- São bem filhotes ainda, cerca de 90 dias. Respondeu Elizabete, devolvendo o sorriso. Ela era voluntária do evento organizado por uma ONG, e que acontecia todos os finais de semana no estacionamento do supermercado.

Depois de mais algumas palavras, Rui foi embora sem adotar nenhum animal, mas voltou na semana seguinte.

- Oi, lembra de mim?

- Sim, claro, você veio aqui semana passada, não foi?

E depois de muitas e muitas perguntas, Rui levou um cachorrinho para casa.

Depois disso, Rui foi visita frequente na feira e principalmente na tenda cuidada pela Elizabete. Não faltava. Em uma semana ele vinha pedir mais informações sobre como cuidar do filhote. Na outra, veio adotar mais um. Na outra, perguntar das vacinas, e na outra sobre as vantagens da cirurgia de castração. Elizabete, sempre solícita, esclarecia todas as dúvidas do “cachorreiro” iniciante.

Muitas visitas depois, Rui já havia adotado vários animais, sempre na tenda da Elizabete. De tanto se encontrar começaram a namorar e dai para casarem foi um pulo. Os dois, mais os cachorros que ele adotou dela, mais os cachorros dela, formaram uma família, e foram felizes para sempre por dois anos. Até que certo dia Elizabete, que não fumava, disse que iria sair para comprar cigarros e não voltou mais.

Rui depois encontrou uma carta, onde ela se despedia dizendo que agora precisava de um tempo para cuidar de si mesma e esperava que ele cuidasse bem dos bichos.

Foi um choque, Rui ficou atônito, e durante alguns dias não saiu de casa. Porém com o tempo e a companhia dos cães, foi se recuperando e retomou as forças para continuar a vida.

Numa das necessárias idas ao supermercado, para comprar comida e ração, Rui avistou a feira de adoção, que há quase dois anos não visitava, e resolveu dar uma passadinha. Quando viu uma moça dando água e comida aos animais, parou.

- Que lindos! Qual a idade deles? Perguntou Rui com um sorriso.

- São bem filhotes ainda, cerca de 90 dias. Respondeu Márcia, devolvendo o sorriso....

Ainda bem o que o quintal do Rui era grande e cabiam muitos e muitos cães.

Toda semana ele fazia tudo sempre igual. Desta vez não seria diferente.

Segunda feira de manhãzinha, ainda não havia nem clareado o dia direito. Chico chegara da rua exausto, com cara de cansado e visivelmente mais magro. Ninguém tinha notícias dele desde sexta à noite, quando saíra para a farra.

Deixara a companheira e o filho sozinhos. Agora voltava com arranhões no pescoço e nas costas. Não dava para saber com certeza se era briga ou namoro. Mal entrou em casa e já brigou com a mulher e deu vários tapas na cabeça do filho. Procurou pelo seu prato, que estava preparado, comeu com fome de mendigo, limpou o bigode e foi dormir sem tomar banho. E dormiu o sono dos justos, por mais de 12 horas seguidas.

Filó e o filho já estavam acostumados e sempre perdoavam Chico. Semanas antes havia sido pior. Chico se meteu em uma briga na rua e acabou 3 dias internado. Em outra ocasião, adquiriu uma doença contagiosa e passou para toda a família. Apesar de tudo ele não era mau. Também tinha momentos doces, quando curtia ficar ao lado da família, brincando e fazendo carinho.

Incoerente? Não, apenas obedecia a sua natureza, seus hormônios, seus instintos. Chico não conhecia o espaço que existe entre estímulo e resposta, chamado liberdade de escolha. Sua reação era sempre instantânea. Fazia o que dava na cabeça.

Pessoas que gostavam do Chico estavam preocupadas, afinal com este estilo de vida pensavam que ele não duraria muito e acabaria morto ou sumindo de vez. Afinal, as estatísticas mostravam isso. A morte precoce era uma tragédia anunciada.

Estas mesmas pessoas se informaram, conversaram com especialistas e tomaram uma decisão pensando em resguardar sua vida e melhorar seu comportamento. Assinaram os documentos necessários e Chico foi encaminhado para o veterinário, para passar por uma cirurgia de castração. O procedimento foi bem sucedido e Chico teve alta no mesmo dia.

Nos primeiros dias não se percebeu muita diferença no comportamento do gato rueiro e namorador, mas com o passar das semanas sim. Após alguns meses Chico ficou caseiro, engordou, trocou as feridas por um pelo brilhante e passou a ficar mais tempo com a família. O mais importante, saiu do grupo de risco que as estatísticas apontam para morte precoce e passou a ter uma expectativa de vida de muitos e muitos anos.

A manhã estava ensolarada, com uma brisa fria, típica de uma manhã de inverno. Ainda era cedo e poucas pessoas passeavam pelo parque. Mari carregava Bingo no colo e não teve dificuldade em encontrar um banco vazio, bem em frente ao lago. Deitou delicadamente Bingo no banco para em seguida ajeitar uma manta sobre a grama verde. Passou Bingo para a cama improvisada e sentou-se no banco com o cachorro aos seus pés. Bingo por uns momentos respirou de boca aberta, pois se cansava fácil, do alto dos seus quase 20 anos. Quando se recuperou, começaram a conversar:

- Bingo, ando preocupada com você. – Começou a mulher.

- Por que? Estou bem. – disse o cãozinho sorrindo.

- Fico pensando... Você não anda mais sozinho. Só fica deitado. Tenho medo que esteja sofrendo.

- Eu estou bem. Tenho tudo que preciso para ser feliz. Sua companhia, seu carinho e sachês sortidos para comer. Além disso, quando você me ajuda a ficar de pé, segurando meu rabo, consigo dar uns passinhos.

- Eu gostaria de poder fazer mais. Ficar mais tempo com você. Cuidar melhor e conversar mais, como sempre fizemos quando eu trabalhava menos – Disse a mulher.

- Eu também gostaria de ficar mais tempo com você, mas sei que você é uma mulher que trabalha muito. Que tem uma vida profissional intensa. Eu entendo isso. Para mim o importante é que todo dia você volta para casa, me faz um carinho, senta no sofá comigo aos seus pés, e então posso ficar te olhando. Isso para mim é a felicidade. Ficar perto de você para mim é a melhor coisa do mundo. – Disse o cão velhinho.

- Ah Bingo, só você para gostar de mim deste jeito.

- Eu e o Betinho. – sorriu o cão. – Você deveria ter casado com ele.

- Será Bingo? Ele era muito bonzinho mesmo. Mas você sabe, que eu não gostava dele o suficiente para casar. – justificou Mari.

- Eu gostava. Ele trazia sempre um presente para você. Conversava comigo, me deu vários banhos e ainda passava talco na minha barriga. – lembrou-se Bingo. –Definitivamente o Betinho seria um bom dono para mim e um bom marido para você. Eu poderia morrer mais tranquilo sabendo que teria alguém para cuidar de você.

- Para com isso, hein Bingo. Você ainda tem muito tempo pela frente.

- Pode ser que eu tenha. Para nós cães, o tempo passa diferente. Um dia vale por sete seus. Uma semana vale quase dois meses e um ano dos humanos para nós é quase uma década. Por isso cada minuto com você vale muito para mim. - regozijou-se o cachorro.

- Bingo, queria ser feliz como você. - lamentou-se Mari. – Você se contenta com coisas simples.

- Ou é você que não se contenta com nada e quer sempre mais? – Perguntou Bingo. – Por que você precisa ganhar tanto dinheiro? Não é casada nem tem filhos?

- Não sei. Talvez eu precise provar para alguém que eu tenho valor. Ou talvez precise provar isso para mim mesma. Ou para meus falecidos pais. Felizes os cães, que não precisam provar nada para ninguém.

- Eu já provei tudo que precisava. - disse Bingo – e o que mais gostei foram os saches sortidos – brincou sorrindo a cãozinho. Voltando ao assunto, tem alguma chance de você reconsiderar e casar com o Betinho?

- Claro que não, Bingo! E, além disso, você sabe que eu gosto do Valter.

- Pois eu não gosto. Ele não gosta de animais, não conversa comigo nem muito menos passa talco na minha barriga. E, além disso, você sabe que ele é casado. E tem mais, ele não gosta de mim nem de você de verdade. - resmungou o cão.

- Ele é um idiota por não gostar de você, Bingo!-

- Ele é um idiota por não gostar de você, Mari! - ambos se olharam e sorriram um para o outro.

- Bingo, a conversa está boa, mas precisamos ir. Hoje você ainda tem sessão de fisioterapia e depois banho. E eu tenho que terminar uns relatórios da empresa. – disse Mari, enquanto ajeitava Bingo nas cobertas e o erguia no colo.

- Depois do banho, você passa talco na minha barriga?

- Claro, meu amor!

Mari apertou Bingo nos braços e encostou seu rosto no dele. Bingo arfou um pouco para recuperar o ar e seguiram em frente, caminhando pelo parque de volta para casa, pensando em suas vidas e na felicidade de terem um ao outro.

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