Domingo, 01 Agosto 2010 13:28

Os gatos do cemitério

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Os cemitérios em geral e alguns em especial, como o caso do cemitério do Araçá, servem de refúgio e moradia para muitos gatos. As incontáveis campas, muitas delas abertas, com vidros quebrados ou grades espaçadas servem como esconderijo, onde os gatinhos, que lá foram abandonados ou nasceram, podem durante o dia se esconder da raça humana.


incontáveis esconderijos

Durante a noite, podem sair das tocas e passear livremente entre os espíritos, pois sabem que não precisam temer os mortos, mas sim os vivos, já que os vivos sim exteriorizam suas frustrações e seus fracassos profissionais ou emocionais sobre criaturas livres e inofensivas como os gatos.

Pena que a relativa independência física e a total independência emocional destes animais incomodem tanto algumas pessoas. Salvo, que do outro lado existe gente que se doa como a D. Rosely, que sabe que a fome é um flagelo, e diariamente provê os abandonados.

Porém, nas últimas semanas, D. Rosely e outros protetores de animais, que gentilmente deixavam potinhos de ração e água ao redor dos túmulos do cemitério do Araçá, começaram a dar falta de alguns felinos. Mais um pouco e começaram a aparecer alguns corpos de gatos com sinais de morte violenta.


 

O caso foi parar na polícia, os corpos no laboratório, para necropsia. O laudo confirmou mortes por traumatismo.  Fraturas de coluna vertebral, traumatismos cranianos, hematomas e feridas perfurantes.

A polícia desconfia de “alguém muito cruel”. Os protetores desconfiam de alguns jardineiros. Os jardineiros desconfiam de alguns cães. Os cães desconfiam que a corda sempre estoura do lado mais fraco, e eu desconfio que a administração do cemitério está fazendo vistas grossas.

Desconfio também que temos cães e gatos em excesso em relação a seres humanos do bem, e que por isso precisamos através da castração compulsória reduzir a população canina e felina em pelo menos 50 %, para podermos cuidar com dignidade destes animais.

Há um inquérito aberto na Polícia Civil e a mídia está acompanhando o caso, o que nos dá esperança que o “alguém muito cruel” troque a violência por um psiquiatra e medicamentos.

Ah, e os gatos desconfiam que a companhia dos humanos mortos é melhor e mais segura que a companhia dos humanos vivos e frustrados.

Wilson Grassi - médico veterinário -   O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.



 

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