Sexta, 10 Abril 2009 22:31

(2009/02) Um milhão de cães nas ruas de São Paulo

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Um milhão de cães nas ruas da Cidade de São Paulo. Que número difícil de acreditar! Quem os contou? Existem números precisos? São dados do IBGE? Não, infelizmente os números não são precisos, mas são bastante plausíveis e infelizmente são assustadores.

Veja como se chega a esta estimativa: A Secretaria Municipal de Saúde, durante a campanha anual de vacinação anti-rábica, tem como meta vacinar 80% da população canina da cidade. No ano de 2007, o número de cães vacinados na campanha gira em torno de 800 mil animais. A este número somamos mais 200 mil animais que por algum motivo não foram vacinados contra a raiva neste período. Estimativas levando em conta o número de clínicas veterinárias na cidade e a venda de vacinas pelos laboratórios, projetam mais 400 mil animais vacinados por veterinários particulares.

Somando estes números chegamos a 1,4 milhão (um milhão e quatrocentos mil) de cães domiciliados, com alguém responsável por eles. Só que a conta ainda não acabou. Levantamentos “in loco“ apontam para proporções entre cães e homens da ordem de 1 cão para cada 6 pessoas, 1 para 5 e 1 para 4, dependendo da região pesquisada. Se considerarmos a proporção de 1 cão para cada 4 pessoas, chegamos a 2,750 (dois milhões setecentos e cinqüenta mil) de cães entre domiciliados, semi-domiciliados e errantes, em uma cidade de 11 milhões de habitantes.

Destes vamos subtrair aqueles 1,4 milhão que consideramos domiciliados e vão sobrar 1,350 milhão de animais. Aproximando para menos, temos 1 milhão de cães, entre semi-domiciliados e errantes. Como semi-domiciliados consideramos aqueles que têm os portões de casa sempre abertos (quando há portão na casa), e passam o dia na rua, voltando para se alimentar, e consideramos como errantes os que foram perdidos ou abandonados.

Estes números são extremamente voláteis, pois a mortalidade neste grupo é altíssima, como é também altíssima a sua taxa de reposição, pela procriação indiscriminada. Este é um cenário extremamente preocupante, tanto como risco à saúde pública, como por questões de bem-estar animal. Não dá mais apenas para esperarmos atitudes e soluções oriundas do poder público apenas. Os veterinários e associações de classe devem assumir o papel de ator principal nesta questão, aproveitando nossa posição de veículo de comunicação importante, para transmitir cada vez mais os conceitos de guarda responsável.

Mv. Wilson Grassi

Diretor de Bem-Estar Animal da Anclivepa-SP

Publicado na Revista Anclivepa n. 61 (fevereiro de 2009)

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