Domingo, 29 Março 2009 02:23

(2008/05) Animais abandonados

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Estima-se uma população no Brasil de cerca de 28 milhões de cães. A segunda maior população canina do mundo. Um orgulho? Não! Sinal de sub-desenvolvimento cultural. Boa parte destes animais vive nas ruas ou favelas. No Estado de São Paulo o número de cães errantes pode chegar a um milhão. As mortes de animais capturados pelos Centros de Zoonozes chegam a centenas por dia no Estado dito desenvolvido do país.

Na Capital, os procedimentos de eutanásia são através de injeção letal, mas o mesmo não pode ser garantido em algumas cidades do interior. Os outros métodos possíveis e que já foram usados são a câmara de gás, a eletrocussão e pasmem, o afogamento. Tudo isso acontece porque nascem mais cães do que existem pessoas disponíveis e interessadas em criá-los.

Enquanto a mídia enaltece os cuidados que alguns poodles e yorkshires recebem em salões de pet shop, cães e gatos sem raça morrem atropelados, envenenados ou de diversas viroses, sozinhos nas ruas. Qual a mola propulsora desta engrenagem perversa? Procriação indiscriminada estimulada pelos seres humanos.

Muita gente adquire um filhote sem pensar que depois ele cresce, tem necessidades de comida, água, higiene, atenção, etc e então a pessoa se desfaz do animal, abandonando-a a própria sorte, longe de casa. Outras vezes deixa-se a cadela emprenhar, ter os filhotes em casa e depois são colocados em uma caixa e largados nas praças. Muitos morrem de frio, fome e doenças contagiosas. Os criadores também têm parcela de culpa, pois fazem uma determinada cadela gerar dezenas de descendentes.

Estatisticamente, para cada um filhote comprado um outro chega às ruas, perdido ou abandonado. Existem tímidas campanhas pela esterilização destes animais, como forma de controle da população, porém um problema desta dimensão exigiria uma esterilização compulsória, vinda na forma de lei, e que abrangesse significativa parcela da população canina e felina.

Como esperar atitudes governamentais exige muita paciência, melhor não cruzarmos os braços enquanto as medidas não vêm. Esterilize ou castre seu animal. Estimule seus vizinhos e amigos a fazerem o mesmo. A castração é positiva para a saúde dos cães e gatos. Não compre animais. Adote um animal abandonado, é uma atitude muito mais legal.

Wilson Grassi
Médico Veterinário
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Publicado no jornal Fato Paulista
Republicado no
Salva Vidas n. 2 (maio de 2008, com o título"A importância da castração")
Também publicado no
Portal Artur Alvim

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